“A mulher com olhos de fogo” – Nawal El Saadawi

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Durante o mês de março acontecem muitos eventos em comemoração ao “Dia Internacional da Mulher”, como lançamentos de livros, seminários, caminhadas. Fazendo parte destas homenagens à luta feminina por seus direitos iguais, a Faro Editorial lança “A mulher com olhos de fogo – um despertar feminista”, da autora egípcia Nawal El Saadawi, uma mulher ativista, médica e psiquiatra feminista, considerada a Simone de Beauvoir do mundo árabe.

Neste romance, baseado no relato verdadeiro de uma mulher que espera sua execução em uma prisão no Egito, Nawal nos apresenta Firdaus, conhecida mundo afora, e que, de dentro de uma cela, conta como foi sua vida desde a infância, e os motivos que a levaram a cometer este crime.

“Deixe-me falar. Não me interrompa. Não tenho tempo para ouvir você”. É assim que Firdaus começa a contar sua história, em sua última noite antes da execução, quando ela decide receber a psiquiatra para quem ela revelaria toda a dor, frieza e sofrimento de sua vida na cidade do Cairo.

Esta obra joga luz ao sofrimento das mulheres muçulmanas. Para nós, do ocidente, e não pertencentes a uma religião muçulmana, tudo o que essas mulheres já sofreram e sofrem até hoje doloroso e inaceitável, e vem sendo motivo de estudo e luta por um fim. A autora deste livro, é uma das principais forças na luta contra a mutilação genital de meninas.

Birdaus relata como foi crescer na miséria, sua mutilação genital, o estupro por um membro da família, o casamento forçado na adolescência, os vários espancamentos que sofreu do marido muito mais velho que ela, e muitas outras agressões como ter que se prostituir.

Para mim, um dos pontos mais marcantes e dolorosos, é a relação de amor parental que Firdaus mantinha pelo tio, que foi golpeada com a decepção quando este mesmo abusou dela.

“A mulher com olhos de fogo” reafirma sentimentos e desejos de luta e igualdade para as mulheres, pois por mais sombria e dolorosa que toda a história possa parecer, Firdaus nos mostra sua coragem e sua transformação, principalmente quando num ato de rebeldia, ela mata um de seus agressores. Por várias vezes, ela foi chamada de “mulher selvagem e perigosa” por enfrentar aqueles que a maltratavam, assim como acontece hoje, quando nós mulheres somos chamadas de loucas, descontroladas, diante de uma reação frente a discussões ou outros problemas.

Desde o momento em que as duas mulheres se encontram, e Firdaus começa a contar sua história, é através dela que vamos enxergando tudo o que ela passou, e assim, nossos olhos passam a arder como fogo, de saber que muitas mulheres ainda passam por tudo isso diariamente.

“Um dos livros mais francos e radicais sobre a vida feminina, de todas as origens, em todas as partes do mundo!” A The Guardian.

Com a frase anterior termino minha resenha, e apenas peço: leiam mulheres, leia esta mulher e descubra a força que existe em você.

Homens, por favor, leiam também, precisamos mudar o rumo dessas histórias.

Boa leitura a todos!

Beijos
Lívia Lima
@titialitalendo

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