“O escravo de capela” – Marcos DeBrito

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Título: O Escravo de Capela
Autor: Marcos DeBrito
Capa comum: 288 páginas
Editora: Faro; Edição: 1ª (1 de junho de 2017)
Idioma: Português

Sinopse Faro Editorial: Durante a cruel época escravocrata do Brasil Colônia, histórias aterrorizantes baseadas em crenças africanas e portuguesas deram origem a algumas das lendas mais populares de nosso folclore. Com o passar dos séculos, o horror de mitos assustadores foi sendo substituído por versões mais brandas. Em “O Escravo de Capela”, uma de nossas fábulas foi recriada desde a origem. Partindo de registros históricos para reconstruir sua mitologia de forma adulta, o autor criou uma narrativa tenebrosa de vingança com elementos mais reais e perversos. Aqui, o capuz avermelhado, sua marca mais conhecida, é deixado de lado para que o rosto de um escravo-cadáver seja encoberto pelo sudário ensanguentado de sua morte. Uma obra para reencontrar o medo perdido da lenda original e ver ressurgir um mito nacional de forma mais assustadora, em uma trama mórbida repleta de surpresas e reviravoltas.

(Resenha: O Escravo de Capela – Marcos DeBrito)

Com uma capacidade criativa que me surpreendeu, Marcos DeBrito nos apresenta uma releitura de terror de lendas folclóricas brasileiras.
Ambientado no período escravocrata do nosso país, O Escravo de Capela traz a Fazenda Capela com local da narrativa, fazenda canavieira de propriedade da família Cunha Vasconcelos, tendo o Antônio Batista de Cunha Vasconcelos Segundo, seu filho mais velho como capataz. Conhecido nas redondezas pelas suas crueldades extremas no controle dos escravos, Antônio tem a conivência de seu pai em seus atos. Com a chegada de seu irmão mais novo, Inácio Batista, a rotina da fazenda é perturbada uma vez que este se apaixona por Damiana, escrava da casa criada pela mucama de sua mãe, que por sua vez abandonou a família deixando os filhos pequenos aos cuidados apenas do pai. Com este pano de fundo, nos é apresentado Sabola Citiwala, escravo recém-chegado e que que logo conhece as atrocidades de que Antônio é capaz de fazer para mostrar seu controle e poder dentro da fazenda. Após várias punições, Sabola decide fugir com a ajuda de outro escravo, Akili.
Acontece que tal fuga não é bem-sucedida e o escravo é novamente severamente punido. Com este clima de terror e tortura temos o nascimento de 2 das nossas mais famosas lendas folclóricas que voltam com o único intuito, se vingar de seus algozes.
Com uma narrativa descritiva brilhante, DeBrito traz veracidade à sua história uma vez que narra uma época brasileira de muita dor, nos apresentando todas as nuances e cenários deste período, possibilitando ao leitor vivenciar todo sofrimento dos personagens.
O livro traz a cruel realidade dos escravos e os únicos desejos que poderiam existir em suas vidas miseráveis: fuga e vingança. Misturando o sobrenatural com o terror real onde os verdadeiros monstros são os homens, O Escravo de Capela consegue equilibrar todos estes aspectos de uma forma sublime com um excelente ritmo de escrita.
A edição da Faro Editorial é impecável, com capa e imagens internas que auxiliam na atmosfera de dor e sangue do livro, transformando a leitura em uma experiencia fantástica.

Resenha by Tatiana Mesquita

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