“As Brumas de Avalon” – Marion Zimmer Bradley

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EDITORA Planeta do Brasil
PÁGINAS 968
ACABAMENTO Capa dura
TRADUÇÃO Mariana Della Valle
NÚMERO DA EDIÇÃO 1
ANO DA EDIÇÃO 2017

Acredito que todos já ouviram falar da lenda de Rei Arthur, mas já imaginaram qual o papel que as mulheres desempenharam nesta história?

Toda lenda tem seus desenrolares e variações. No livro Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley temos a história no seu semblante mais conhecido, mas apresentada pelas óticas das mulheres. Morgana (uma das minhas personagens femininas preferidas), Guinever, Igraine, Viviane nos apresentam a lenda arturiana clássica, mas sob o manto da feitiçaria, religiosidade, paganismo, família e amor.

O Livro foi lançado pela Editora Planeta em 2017 como volume único de 968 páginas (li na 1ª vez os 4 volumes separados) trazendo os antigos volumes como Livros: A Senhora da Magia, A Grande Rainha, O Gamo-Rei e O Prisioneiro da Árvore.

Na 1ª parte do livro da A Senhora da Magia, temos a constituição da família de Arthur com foco em sua mãe Igraine, Uther Pendragon, Viviane e Taliesen (Merlin daquele período) e as artimanhas para que a profecia do nascimento de um Rei que uniria o país fosse cumprida. Já na segunda parte, Morgana toma à frente da narrativa quando é levada por Igraine, a Senhora de Avalon, para morar na ilha cercada de mistérios e magia para desenvolver seu dom da visão.

No 2º livro, A Grande Rainha, Guinevere (Gwenhwyfar) nos é apresentada senda a personificação do cristianismo, tendo sido escolhida para se casar com Rei Arthur mesmo sem conhece-lo. Guinevere (vou usar essa escrita para seu nome pois como nos é apresentada no livro, vou errar a grafia com certeza) se mostra uma pessoa medrosa e puritana (nem tanto), sempre em conflito por respeitar seu casamento com o rei e ao mesmo tempo amar Lancelot. Nesta parte da história nota-se como Guinevere tem influência, mesmo que velada, nas decisões de Arthur. Não preciso falar que tomei um ranço gigantesco da personagem. Temos também Morgana, fugindo de Avalon e dando à luz ao seu filho que acaba deixando aos cuidados de Morgause.

Entre conflitos amorosos e disputas religiosas com Guinevere, temos uma Morgana forte e determinada surgindo e ao mesmo tempo sensível e afável. De todos os volumes, este é ponto central de todo o enredo, vindo a ser o meu queridinho…

No livro 3, O Gamo-Rei, temos Morgana permeando os ambientes da história e a iniciação de seu filho, Gwydeon em Avalon. Em paralelo Guinevere, sua prima Elaine e Lancelot em um triangulo amoroso traçado com a ajuda de Morgana. Em uma troca de vingança bem elaborada, Guinevere e Morgana movimentam seus “peões” de forma bem ardilosa.

No livro 4, O Prisioneiro da Árvore, Morgana tenta, a todo custo, fazer com que Arthur cumpra as promessas feitas à Avalon mesmo que isso lhe traga grande sofrimento. Neste capítulo temos a apresentação do Graal e o desfecho dos personagens. Tenho que ressaltar que Arthur sempre em dualidade entre o cumprimento de suas promessas à Deusa e a influência de sua esposa cristã, se mostrou durante todo o livro sendo um homem honrado e justo. Confesso que dos 4 capítulos, este é o que eu menos gostei, talvez pela narrativa ser um pouco confusa, mas não tirando o brilho que o livro tem.

Ufa!!!! Resumindo, Brumas de Avalon traz a lenda de Arthur dentro da dualidade religiosa que permeava a época, cultos celtas e o catolicismo em constante guerra de poder e como as mulheres interferiram direta ou indiretamente nas decisões deste Rei.

Os cristãos buscam apagar do mundo toda a sabedoria que não a deles; e nessa luta estão banindo deste mundo todas as formas de mistério que não se encaixam em sua fé religiosa…”

A versão arturiana apresentada por Marion Zimmer Bradley é envolvente, mágica e maravilhosamente escrita com artimanhas e enredo bem desenvolvidos. Diferente da versão da lenda apresentada por Bernard Cornwell (que também gosto muito), o olhar feminino muda toda experiência de ser ler a história por muitos já conhecida. Não é à toa que este é um dos livros que mais me marcou e me tornou uma apaixonada pelas figuras de bruxas, feiticeiras, magos e todo mundo de fantasia.

Poderíamos nos perder na névoa, vagar para o reino das fadas e nunca mais voltar para este mundo.”

Adendo: As Brumas de Avalon não é uma obra recente: foi publicada no início da década de 80 (1979) e é o fechamento de uma série composta por Queda de Atlântida (volume I e II), e Ancestrais de Avalon, Casa da Floresta, Senhora de Avalon e Sacerdotisa de Avalon. Destes, li e gostei dos 3 últimos, mas sem comparação ao encanto que Brumas de Avalon tem.

“A magia é um caminho desconhecido, assim como a escuridão da noite. E ao mesmo tempo assustadora, tornando-se um desafio para renunciarmos aos nossos medos e mergulharmos neste mundo secreto, que quanto mais se caminha, mais se descobre o que há por trás da penumbra. A bruxaria é um mundo oculto pelas sombras da noite, em que só a bruxa, por si própria, poderá descobrir o caminho certo, confiando na sua eterna aliada, a lua, que é a luz da Deusa. Uma bruxa acomodada jamais será sabia, porque o conhecimento oculto não é recebido e sim procurado. O segredo é confiarmos na luz interior que nos guiará adiante no caminho da procura, que começará neste momento, nesta noite de iniciação. A hora é agora que o ritual se inicie.”

Resenha by Tatiana Mesquita

 

 

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