“O diário de Anne Frank”

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Ontem terminei a leitura de um clássico: “O diário de Anne Frank”. Como tinha dito no Instagram, esse livro ficou comigo nos últimos 30 dias, mas como foram muito corridos e atarefados, ele não foi lido com a intensidade que eu gostaria. Mas da última quinta-feira pra ontem, li as cerca de 200 páginas que faltavam. 

Como a maioria das pessoas já sabem, este livro é o diário de uma menina alemã, Annelies Marie Frank, de família judia, que precisa se esconder com sua família e alguns amigos, em um anexo secreto, no escritório de seu pai Otto H. Frank, em Amsterdã, durante a ocupação nazista. 

Anne Frank relata sua vida antes e durante o tempo que viveu escondida neste anexo, os momentos de alegria, mas também os de dúvidas em relação a seus sentimentos, e, é claro, o constante medo de serem capturados. O que acabou acontecendo em agosto de 1944, depois de dois anos de confinamento, quando a Gestapo invade a casa e descobre o anexo secreto, levando todos para campos de concentração. 

De todas as pessoas que ali viviam, no caso oito, apenas o pai de Anne sobreviveu aos campos de concentração. Em 1947, o diário de Anne foi entregue pelo pai e por Miep Gies, que ajudou a todos durante o confinamento, para ser publicado, já que sua morte foi confirmada. 

Antes de começar a ler, busquei alguns relatos sobre a obra, pra ver o que as pessoas tinham achado. A maioria dizia que choraram muito, que a leitura era pesada, os relatos muito fortes etc. Mesmo assim segui a leitura, já que todo clássico vale uma tentativa de leitura. O que me impressionou foi que em momento algum senti vontade de chorar ou achei a leitura pesada 

Pelo contrário, fiquei encantada com outra coisa. Das primeiras páginas, até a última escrita por Anne, ela vai nos mostrando todo o seu crescimento e amadurecimento. Tudo aquilo que para ela e para as pessoas que estavam juntas no anexo, antes pareciam ser de pouca importância, torna-se cada vez mais intenso é importante, desde  alimentos, a sentimentos e atitudes. 

Anne chega ao anexo com 13 anos e sai com 15, o período da adolescência, de dúvidas e descobertas, de curiosidades e incertezas. Ela relata seus interesses de leitura, suas atividades diárias dentro da casa, sua relação conturbada com a mãe, a distância com a irmã, o misto de sentimento de amor e ódio pelo pai, e sua paixão e decepção por Peter, um garoto que também vive no anexo. 

Uma menina muito bem articulada com as palavras, Anne nos mostra como é a cabeça de um jovem, visto que nesta idade, muitas vezes somos criticados pelos adultos, dizendo que não entendemos nada da vida, que certos assuntos não podemos discutir etc. Mas ela mostra que mesmo com toda a confusão de sentimentos durante essa fase da vida, eles sabem lidar com os dias de comida escassa, de brigas entre os moradores, de paciência com os mais velhos, do momento político em que viviam e até de descoberta do amor e da sexualidade. 

Sim, de sexualidade! Anne fala sobre o corpo, o prazer é até sobre de forma bem clara, sobre o feminismo. Uma menina à frente de seu tempo, mostra que ela acredita que as mulheres podem ser muitas outras coisas do que somente donas de casa e mães, tanto que o sonho dela é ser jornalista e escritora. Outros relatos que mostram esta visão de Anne, são quando ela se incomoda de como é a relação dos pais e principalmente da mãe que parece frustrada com a relação com o marido e a vida dedicada às filhas e a casa! 

O mais forte que achei, talvez seja o sofrimento que Anne guarda quando fala da relação dela com o pai, a pessoa que mais admira, mas que sente que não a compreende da maneira que ela queria. Além do sentimento de desprezo e não amor que guarda pela mãe. 

Ah os adolescentes! Quantas coisas passam pelas nossas cabeças nessa época e que só vamos conseguir entender alguns anos depois. Mas Anne não teve essa chance. E imagino o quão difícil deve ter sido para Otto, seu pai, ler aquelas páginas em que ela reclamava de tudo isso que ela vivia. 

Bom, esta foi minha interpretação desta obra deliciosa e curiosa. Uma leitura sim muito forte, mas que me fez enxergar com mais carinho a vida vista por uma jovem de 13 anos! 

Não contarei mais nada, espero que você leia o livro e volte aqui pra me contar o que achou! 

Boa leitura! 

Resenha by Lívia Lima

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