“Orgulho e Preconceito” – Jane Austen

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Orgulho e Preconceito foi o 2º livro publicado de Jane Austen (1813; o 1º foi Razão e Sensibilidade em 1811). O livro é ambientado na Inglaterra do século XIX e gira em torno da família Bennet, casal com cinco filhas, residente na cidade rural (fictícia) de Meryton.

As conversas e problemas sociais não fugiam dos debates e fofocas sobre casamento, herança, intrigas, moral e costumes. Mas esta rotina é abalada com a chegada do Sr. Bingley, jovem rico, de boa família e principalmente, solteiro.

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Não tarda para que a Sra. Bennet tente empurrar uma de suas filhas para os braços do novo inquilino de Netherfield Park durante um baile.

Nessa oportunidade, o Sr. Bingley se encanta com Jane (filha mais velha dos Bennet) e Elizabeth (segunda filha do casal), tem o dissabor de conhecer Mr. Darcy, rico jovem amigo da família Bingley. Com temperamento soberbo, Mr. Darcy desagrada a todos da região, principalmente Elizabeth Bennet, quando se recusa a convida-la para dançar por achá-la “tolerável, mas não bonita o suficiente para me atrair“.

Com a convivência das irmãs Bennet com os Bingley e amigos, o desprezo que Darcy sentia por Elizabeth transforma-se em amor, mas sem ser correspondido. Mesmo abrindo seu coração para Lizzy, esta o destrata e o repele, ainda magoada pela forma como foi tratada no primeiro encontro dos dois e por saber que Darcy foi responsável pela separação de Jane e o Sr. Bingley (temos aí um dos trechos mais replicados e memoráveis do livro).

“Tentei lutar, mas em vão. Não consigo mais. Não posso reprimir meus sentimentos. A senhorita tem de me permitir dizer com quanto ardor eu a admiro e a amo.” (p. 212).

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 Neste desenrolar, o orgulho que Darcy demonstrava no início da história é substituído pela timidez e recato, revelando um rapaz amoroso com sua família e extremamente justo. Já o preconceito com que Elizabeth julgou Darcy desde o seu primeiro encontro, se transforma em admiração e afeto.

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Orgulho e Preconceito é um livro apaixonante, romântico, mas ao mesmo tempo direto, onde nos é apresentado um período em que a mulher era menosprezada e totalmente dependente de um homem, fosse ele irmão, marido ou primo distante. Época em que a vida da mulher era destinada a um casamento favorável à revelia dos seus sentimentos.

Jane Austen conseguiu nesta obra expor toda a hipocrisia e ridículo da aristocracia inglesa da época mas sem perder o romantismo e a crença de que a real felicidade só é alcançada quando seguimos o nosso coração.

Com uma escrita leve, por vezes ácida, Jane Austen nos enriquece com uma história deliciosa e fluída, com personagens bem marcados pelos seus defeitos e qualidades. Alguns podem achar seu enredo simplório, mas temos uma escritora de 1811 que, mesmo sendo mulher e com pouca idade (20 anos no início da escrita do livro), nos apresenta uma texto direto, ágil e irônico sem perder o lirismo e o romantismo.

Tenho que admitir que Jane Austen tem lugar reservado em meu coração. Orgulho e Preconceito é mágico, nos remete a um romantismo perdido, onde um toque de mãos, um olhar discreto eram extremamente sensuais e cativantes. Hoje, com a frivolidade da vida e dos relacionamentos, conseguir enxergar beleza e amor nesta história, por vezes vista como superficial, é um privilégio.

A edição da Martin Claret de 2018 é um deleite para os olhos. Linda, colorida, com detalhes de extremo bom gosto e com páginas diagramadas de forma a lembrar um diário.  A tradução desta edição (Roberto Leal Ferreira) é leve e limpa, trazendo um excelente ritmo à leitura, sem perder o brilhantismo original dos textos de Austen.

Entre as diferentes traduções brasileiras apresentadas ao mercado, podemos encontrar uma variavel  qualidade dos textos. Dentre as traduções mais paradigmaticas, a de Lúcio Cardoso (Saraiva de Bolso, BestBolso etc) é uma das mais publicadas, trazendo um texto mais lírico e rebuscado.  A de Roberto Leal Ferreira (Martin Claret) é igualmente fiel, mas de um jeito mais leve e fluído ( agradou-me mais). A tradução de Celina Portocarrero (L&PM) também é bem conceituada no mercado, contudo, por não possuir nenhum exemplar, não posso opinar.

“A senhorita é generosa demais para zombar de mim. Se os seus sentimentos forem os mesmos de abril passado, diga-me logo. Os meus sentimentos e desejos não mudaram, mas diga-me uma palavra e eu os silenciarei para sempre.” (Martin Claret – tradução de Roberto Leal Ferreira – p. 398)

“Tenho certeza de que é generosa demais para brincar comigo. Se os seus sentimentos ainda são os mesmos que em abril passado, diga agora. Meus desejos e afeição permanecem intactos, mas uma única palavra sua me fará silenciá-los para sempre” (BestBolso – tradução de Lúcio Cardoso – p. 369)

Resenha by Tatiana Mesquita

 

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