“O Conto de Aia” – Margaret Atwood

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Em 99% das vezes que procuro uma resenha de um livro, espero encontrar nela a opinião de quem leu. A opinião mesmo, o que ela achou, e se ela gostou ou não do que leu. Porque não somos obrigados a gostar de tudo que lemos, mas acredito que mesmo quando a leitura é ruim, aprendemos algo com ela.

O livro que venho falar hoje, não me trouxe uma história ruim, mas sim uma leitura cansativa, talvez por não estar acostumada com a autora, seu tipo de escrita, ou mesmo o estilo de escrita, a não muito falada: distópica.

“O conto da Aia”, escrito por Margaret Atwood, é um romance distópico.

Primeiro, vamos entender o que significa esta palavra distópico:

“Distopia ou antiutopia é o pensamento, a filosofia ou o processo discursivo baseado numa ficção cujo valor representa a antítese da utopia ou promove a vivência em uma “utopia negativa”. As distopias são geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo, por opressivo controle da sociedade. Nelas, “caem as cortinas”, e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis. A tecnologia é usada como ferramenta de controle, seja do Estado, seja de instituições ou mesmo de corporações.

Distopias são frequentemente criadas como avisos ou como sátiras, mostrando as atuais convenções sociais e limites extrapolados ao máximo. Nesse aspecto, diferem fundamentalmente do conceito de utopia, pois as utopias são sistemas sociais idealizados e não têm raízes na nossa sociedade atual, figurando em outra época ou tempo ou após uma grande descontinuidade histórica.

Uma distopia está intimamente conectada à sociedade atual. Um número considerável de histórias de ficção científica que ocorrem num futuro próximo do tipo das descritas como “cyberpunk”, usam padrões distópicos de uma companhia de alta tecnologia dominando um mundo em que os governos nacionais se tornaram fracos”. (Fonte Wikipédia)

Depois disso, vamos falar então sobre o romance de Margaret Atwood. Comecei a leitura dele no ano passado ainda, mas como viajei um pouco e queria curtir dias de folga, fui enrolando a leitura. Mas não posso deixar de confessar para vocês, que também não conseguia seguir com as páginas, pois estava achando a leitura muito cansativa, entediante, um saco.

Mas como sou muito teimosa, prometi que não começaria outro livro sem terminar este. E assim o fiz!

“Escrito em 1985, o romance distópico tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países.

Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump.

Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano”.

Esta obra revela os cantos escuros por trás de todo poder estabelecido, em um mundo onde tendências políticas atuais são levadas às suas conclusões lógicas. Uma poderosa reflexão sobre liberdade, direitos civis, a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos, o futuro é, principalmente, o presente, o romance retoma a tradição de clássicos da literatura distópico como 1984 e Admirável mundo novo sob uma perspectiva original e feminina, a ópera e, agora, uma aclamada série de Tv.

Para o momento que vivemos hoje, de muita discussão sobre o empoderamento feminismo, a diversidade, a igualdade de gênero, esta é uma leitura muito importante. E não sei com vocês, se isso acontece, mas pra mim foi muito importante depois de terminar de ler o livro, fazer uma pesquisa e ler algumas opiniões e sites que explicavam melhor sobre a narrativa e a questão de distopias. Fiquei muito confusa depois que terminei de ler, mesmo tendo entendido o enredo. Achei que tinha perdido alguma coisa, pulado alguma página ou dormido em algum momento.

Como eu disse pra vocês a leitura desse livro não foi muito fácil pra mim, não é uma história ruim, pelo contrário, achei interessante e importante, mas achei a leitura das 366 páginas, bem pesadas.

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Margaret Atwood, escritora canadense cotada constantemente para o Nobel de literatura

Uma das maiores escritoras de língua inglesa, Margaret Atwood foi consagrada com alguns dos mais importantes prêmios internacionais, como o Man Booker Proze (2000) e o Príncipe de Astúrias (2008), pelo conjunto de sua obra, além de ter sido agraciada com o título de Cavalheira de L’Ordre des Art et Lettres, na França. Tem livros publicados em mais de 30 idiomas e reside em Toronto, depois de ter lecionado Literatura Inglesa em diversas universidades do Canadá e dos Estados Unidos e Europa. Transita com igual talento pelo romance, o conto, a poesia e o ensaio, e se destaca por suas incursões no terreno da ficção científica, em obras como O conto da aia e Oryx e Crake, ambos publicados pela Rocco.

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Vitrine da Saraiva

O Conto de Aia foi escrito em 1985 mas impressiona pelo tema bastante atual. A série Handmade’s tale da Paramount Channel, baseada no livro, foi lançada em 11 de março com muita expectativa. E estou ansiosa para ver a adaptação feita para a série.

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@mamaetalendo Sylvia Tavares no lançamento da série

Resenha by Lívia Lima
@titialitalendo

 

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